O FUTURO DA CONSTRUÇÃO: Quebrando Regras - Parte 1

Ricardo Massaro

02 junho 2016

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O FUTURO DA CONSTRUÇÃO: Quebrando Regras – Parte 1

Introdução

O artigo da McKinsey: “Breaking the mold: the construction players of the future”, de outubro de 2019, destaca que o Setor de Engenharia e Construção tem sido muito criticado pelo atraso, no que tange às transformações digitais.

As tecnologias digitais transformaram muitos setores econômicos, passando pela indústria automotiva, aeronáutica, farmacêutica, de alimentos e bebidas e de transporte, além do setor financeiro (neste quesito os bancos brasileiros são uma referência global). Até a agricultura, que historicamente sempre foi lenta na direção das transformações, deu um salto enorme em direção à digitalização.

A figura a seguir mostra a evolução do valor adicionado por hora trabalhada, por setor da economia, a partir de 1950.
Evolução do valor adicionado por hora trabalhada, por setor da economia.
Observa-se que o Setor de Engenharia e Construção está estagnado desde 1950 e é responsável por quase nenhuma evolução no valor adicionado por hora trabalhada, o que é lamentável e gera um sentimento de “orgulho reverso”.

Justificativas para o Ingresso Tardio do Setor de Engenharia e Construção no Mundo Digital

Várias são as justificativas para o atraso no ingresso do Setor de Construção no mundo digital e para avançar nas transformações pelas quais terá que passar, para se reinventar e consolidar uma posição menos vulnerável (ou mais robusta) no mercado futuro:

1) Fragmentação e baixo nível de integração e colaboração na Cadeia de Valor;
2) Falta de união das lideranças e das instituições e entidades que representam o setor;
3) Abordagem pontual para cada projeto (design) e construção, de forma que cada novo empreendimento seja considerado um “protótipo”;
4) Dificuldades para a contratação, capacitação e retenção de mão de obra direta;
5) Deficiências de:
– Engenharia & Projeto (Design);
– Gerenciamento, Coordenação e Compatibilização de Projeto;
– Processos e Sistemas Computacionais para a gestão de projetos e da produção (obras);
6) Pouco investimento em P&D, Tecnologia e Inovação;
7) Centralização das decisões de investimento, com ausência de um processo estruturado para inovação;
8) Contratos & Incentivos desvinculados das Metas e do Desempenho planejados.

Tudo isso gera problemas conhecidos e dos quais não podemos nos orgulhar, tais como: baixa produtividade, baixa previsibilidade no cumprimento de custos e prazos, fragilidade financeira e baixa atratividade de investidores que preferem investir seus recursos em negócios com menor nível de incerteza.

Em Direção às Mudanças

Leia no próximo capítulo

Autor:
Paulo Sérgio de Oliveira
Engenheiro civil, PMP, consultor, conselheiro e mentor. CEO da ARATAU Construção Modular. Escreve artigos sobre tecnologia, inovação, industrialização da construção e construção modular para o Buildin, Construliga, C3 – Clube da Construção Civil e Linkedin.

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